segunda-feira, 9 de maio de 2016

A GUARDA MUNICIPAL E O CICLO COMPLETO DE POLÍCIA

Proposta: A Guarda Municipal e o Ciclo Completo de Polícia: O que significa Ciclo Completo de Polícia?

O mesmo policial que atende a ocorrência é o policial que conduz as partes para a delegacia, faz o Boletim de Ocorrência, conduz o preso para o Centro de Detenção Provisória e ainda realiza investigações para saber quem são os culpados por um crime, se os mesmos não forem presos em flagrante. Sem a necessidade de passar uma destas atividades para outra polícia.

A Guarda Municipal apesar de ter limitações para agir dentro da esfera criminal, poderia fazer o mesmo dentro da esfera administrativa, atuando dentro do que é competência do município.

Osvaldo Zuim Junior
Guarda Municipal de Jundiaí

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

NOSSA NOBRE MISSÃO

Apesar da nossa Carta Magna, nos outorgar a mais importante das missões, que é fazer com que as pessoas possam perceber na prática quais são seus direitos como cidadãos, tendo acesso a ruas, praças, parques e jardins, a todos os serviços prestados a eles pelo serviço público municipal e as instalações construídas para realização destas atividades.

Existem colegas que entendem ser essa uma função menor, sem importância alguma, sendo melhor o papel de combater o crime e o criminoso. Não que isto não deva ser feito, mas jamais em detrimento da nossa missão constitucional.

E enquanto isso, membros das Forças Militares Estaduais, que não são pessoas que ocupam os cargos que estão, porque simplesmente fizeram um curso superior, mas porque estudaram para realizar as atividades que realizam, observam tudo isto, e com certeza devem conversar entre si.

“Estes homens de azul não tem noção do poder que tem nas mãos, porque o município tem muito mais dinheiro que o estado a sua disposição, e como sabemos, é muito melhor e menos desgastante trabalhar na prevenção, mas enquanto eles não tiverem consciência disto, muito melhor para nós”.

E é por isso meus senhores, que escrevo estas palavras, tenho certeza que nem todos concordarão comigo, mas está na hora de repensarmos como fazer Segurança Pública, porque se queremos que venham os novos tempos, temos também que nos preparar para eles.

“Enquanto nós Guardas Municipais estamos lutando pelo Poder de Polícia, existem aqueles que estão lutando para ter o Poder da Guarda Municipal”.

E lembremos sempre que a principal função de qualquer policia é proteger, prender é conseqüência de uma prevenção mal feita.

Osvaldo Zuim Junior

Guarda Municipal de Jundiaí

segunda-feira, 30 de abril de 2012

NOVAS REFLEXÕES SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA

Filosofia

Conjunto de idéias, fruto da prática reflexiva, que mediante a aceitação do indivíduo, mudam sua maneira de pensar e agir, redirecionando sua trajetória de vida.

Filosofia atual dentro da Área de Segurança

O crime é um mal e precisa ser combatido.
O criminoso é nosso inimigo e precisa ser preso ou morto.
Quanto mais armas e drogas forem apreendidas, mais danos estaremos causando ao inimigo.
Precisamos impedir a ação dos criminosos, mesmo que coloquemos em risco a vida da população.
O crime nunca vai acabar.
Tem bandido pra todo mundo.

Nova Filosofia dentro da Área de Segurança

O crime pode ser evitado.
O criminoso precisa ser desestimulado da prática de crimes e redirecionado para vida em sociedade, após ficar em dia com a justiça.
A verdadeira prevenção acontece através do controle sobre o território ocupado pelos criminosos e não por ações isoladas.
A nossa prioridade sempre deverá ser a integridade física e psicológica da população.
Precisamos acreditar que estamos caminhando na direção certa.

Doutrina

Conjunto de princípios, ou idéias gerais a serem seguidas, de acordo com determinada filosofia.

Doutrina atual dentro da Área de Segurança

Patrulheiro que é patrulheiro já tem que sair no veneno.
Abordar todo mundo que for ou parecer suspeito, qualquer problema depois é só inventar uma ocorrência e dizer que o cara parecia com alguém que se estava procurando.
O que interessa é Ocorrências de Vulto e Flagrante Delito.
Se tiver que atirar nós atiramos, ou se tiver que bater batemos, depois precisamos somente combinar o que vamos dizer no DP.
Problema Social não é coisa de Polícia.

Nova Doutrina dentro da Área de Segurança

Patrulheiro que é patrulheiro precisa conhecer o terreno onde vai operar.
Abordagem Policial somente com fundada suspeita, mas o contato com a população mesmo que de uma maneira mais sociável pode nos dar fortes indícios para realização de futuras ações.
O que interessa é que possamos ajudar as pessoas, trabalhamos com “gente”.
Se tivermos que realizar alguma ação com mais energia que seja de acordo com os Princípios do Uso Progressivo da Força.
Problema Social também é coisa de Polícia.

Treinamento

Ato de aprender e praticar, com ou sem o auxílio de simulações, as atividades que serão desenvolvidas para atingir um objetivo geral ou específico.

Idéia de Treinamento dentro da Área de Segurança

Treinamento é uma coisa, mas na rua é diferente.
O melhor treinamento pra abordagem é fazendo abordagens na rua.
Eu gosto é de treinar tiro, esse negócio de ficar agarrando os outros não é pra mim.

Nova Idéia de Treinamento dentro da Área de Segurança

Nenhum treinamento prepara para a realidade, mas a função de qualquer treinamento é diminuir o impacto da realidade, para que possamos desempenhar nosso papel da melhor forma possível.
A função do treinamento é aprendermos as práticas que empregaremos no nosso dia a dia e devem basear-se na Filosofia da Prevenção, no Respeito às Leis e na Prática da Cidadania.


Para olhar para dentro de si mesmo, é preciso acima de tudo coragem.
E para admitirmos nossos erros e mudar, muito mais...
Pensemos juntos nisso...

Osvaldo Zuim Junior
Guarda Municipal de Jundiaí



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

FORA CORONEL!!!

Se quisermos ser realmente os donos dos nossos destinos precisamos aprender a comandar as nossas vidas, e isto vale também para nossa vida profissional.

Já ouvi por diversas vezes, companheiros reclamando que somos comandados por Oficiais da Policia Militar e que a Policia Militar quer acabar com as Guardas Municipais.

Mas a pergunta é, estamos nos preparando para comandar as nossas próprias instituições?

Ou continuamos achando que quem trabalha no setor administrativo é vagabundo...

A verdade é que de nada adianta todo efetivo ir para rua, se tivermos que depender de outras pessoas para questões que são tão indispensáveis para o nosso dia a dia.

Outro dia, por exemplo, conversei com um grupo de Guardas que não podiam ir para o estande de tiro porque o laudo psicológico não estava em dia.

Ou ficamos sabendo que existem Guardas Municipais que tem uma estrutura muito boa, mas ainda não tem um Plano de Carreira, ficando as promoções de novos graduados condicionadas a vontade política local. E o que é ainda pior, o Inspetor de hoje pode ser o Guarda de amanhã!

Concluindo, ou melhor, ainda falta mais uma.

Fora os vários simpósios que já fui, onde viviam falando de coisas que a gente já está careca de saber, como Artigo 144, PEC 534, mas nada mudava.

Somente posso dizer, Graças a Deus que tem gente pensando na gente em Brasília, e que o que precisamos não é ficar gritando FORA CORONEL, mas sim trabalhar para termos COMANDANTES CAPACITADOS EM NOSSAS GUARDAS MUNICIPAIS.

Temos é que tomar cuidado sim com colegas que já estão se fechando em clubinhos, associações ou ainda empresas que se prontificam a dar aulas para nossos companheiros, mas sem o devido preparo ou pior, pegando professores a laço.

O momento é de humildade, e trabalho, muito trabalho.

Osvaldo Zuim Junior
Guarda Municipal de Jundiaí

terça-feira, 8 de março de 2011

O COMBATENTE

É noite...

O vento sopra, balançando as folhas. E trazendo junto não somente o frescor da madrugada...

Mas principalmente o cheiro, o gosto e os sons do combate que está para começar.

Paciente ele espera... Calmo...

Com uma calma que dá medo... Parecendo até indiferença.

O instinto faz com que fique a espreita, o tempo todo.

De repente, um clarão.

E o que vem a seguir se torna impossível de descrever.

Tiros disparados em todas as direções e explosões despedaçando tudo e todos.

Mas ele não se abala.

Só se movimenta calmamente até uma posição mais apropriada, e procura quais são seus alvos.

Aponta... Atira... Aponta... Atira novamente.

E um a um, eles vão caindo inertes, sem vida.

Os companheiros, aproveitando da posição fortalecida, se reagrupam e partem para o ataque.

O inimigo recua... Foge.

Ele então observa a sua volta.

Veículos em chamas... Casas destruídas.

Tanto companheiros como inimigos mortos durante o combate... Seus corpos espalhados por todo canto.

Então por mais incrível que possa parecer, uma sensação de paz domina todo seu ser... E a certeza, de aquele é seu lugar.

Osvaldo Zuim Junior.
Terceiro Sargento da Reserva do Exército Brasileiro e
Guarda Municipal de Jundiaí.

sexta-feira, 4 de março de 2011

TREINAMENTO MILITAR NAS ESCOLAS DE POLÍCIA

Várias escolas de formação para policiais, em nosso país, realizam durante o período de instrução de novos agentes de segurança pública, atividades típicas dos militares das forças armadas.

Instruções de ordem unida, continência ou sobre hierarquia e disciplina, são mais comuns do que se imagina.

O que nos leva ao seguinte questionamento:

Se as polícias têm uma função diferente das forças armadas, porque treina-los como militares?

É inegável que vários dos treinamentos realizados servem para preparar estes profissionais para o desempenho da função policial. Mas como estabelecer um parâmetro.

O treinamento militar tem um objetivo especifico. Que é o de manter a unidade de comando, porque, caso contrário, seria impossível realizar determinados feitos como mostra a nossa história militar internacional. Lembrando que, após a mudança do conceito de guerra linear (combate em locais definidos e inimigo identificado, seja pela nacionalidade ou pela cor do uniforme), para o conceito de guerra assimétrica (os combates podem acontecer em qualquer lugar e o inimigo está infiltrado no meio da população local). As próprias forças armadas estão verificando a necessidade de treinar os efetivos menores de maneira que sejam capazes de agir com uma maior autonomia, as missões são diferentes.

Os militares combatem um inimigo, enquanto os agentes de segurança têm como base a prevenção para que não aconteçam delitos, tendo o confronto somente como última opção.

Sendo assim, convido a todos para que façam uma reflexão, de acordo com os seguintes princípios:

Se para o conhecimento não há limites e a nossa competência é determinada pela legislação.

Se em primeiro lugar somos servidores públicos, ou seja, nossa primeira responsabilidade é servir as pessoas.

Se o respeito à vida e aos direitos humanos, é um dos princípios básicos para a realização do trabalho de qualquer agente encarregado de fazer cumprir a lei, segundo a ONU.

Está é a essência do nosso trabalho, este é nosso parâmetro.

Osvaldo Zuim Junior.
Guarda Municipal de Jundiaí.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O CONFRONTO

A noite parecia calma, como sempre.

Estava conversando com meu parceiro sobre alguma coisa, que agora não consigo me lembrar.

Viramos a esquina.

E foi ai que escutei uma pancada seca contra a lataria da viatura.

Pensei “só me faltava essa”. Mas, depois do segundo “pipoco” não tive duvida. Estavam atirando na gente.

Na hora não da pra pensar em muita coisa.

Lembro-me somente de ver o pára-brisa estourando, e em seguida meu parceiro reclamando de dores no ombro esquerdo.

No entanto, não dava pra saber se era alguma coisa relacionada com o vidro que havia estourado com segundo tiro, ou se ele tinha sido atingido.

Saquei minha pistola e atirei na direção da onde vinham os tiros...

Disparei seis vezes. Depois escutei um grito.

Perguntei como estava meu parceiro, e ele me disse que estava bem. Então pedi para que solicitasse o apoio de outras viaturas.

Aproximei-me com calma. A arma apontada na direção da onde tinha vindo os disparos. O coração a mil.

De repente, vi uma coisa que sei nunca vou esquecer.

Um garoto de mais ou menos 17 anos estava caído na minha frente. Esvaindo-se em sangue, e dando seus últimos suspiros antes de morrer.

E foi então que entrei em desespero.

Não pelo que tinha feito. Pois estava amparado, agira em legítima defesa.

Mas por ver alguém tão jovem, alguém que havia conhecido, alguém que acreditei que teria um futuro pela frente. Que acabou escolhendo a vida do crime, porque achava que seria alguém, mesmo que fosse para ser um criminoso.

E agora estava ali, um corpo caído no meio da rua, sem vida, mais uma vida ceifada tão cedo e de uma forma tão estúpida.

Depois disso, passaram-se muitas outras noites.

E sempre que passo por aquela rua, lembro-me do dia que fui obrigado a tirar a vida de outro ser humano.

Não somente pelo jovem que morreu naquela noite, mas porque naquela noite uma parte de mim morreu com ele.

Osvaldo Zuim Junior
Guarda Municipal de Jundiaí